O que é método científico?

Como se constrói o conhecimento científico

Por: Diego A. Gonzaga | Publicado em 28 de maio de 2020

O método científico é o pilar central do sucesso da ciência ao longo da história e é a ferramenta por trás da construção de todo o saber produzido pela ciência. Mas o que é esse método? Como ele funciona? Existe apenas um método? Essas e outras questões normalmente rondam a mente das pessoas. Para quem não é da academia ou está ligado de alguma forma ao mundo da ciência, é natural ter essas dúvidas. Mas também é importante que todos saibamos o que esses termos significam e porque eles são importantes. Precisamos ter esse tipo de conhecimento para podermos valorizar a ciência e apoiar os cientistas, que como percebemos nesses tempos de pandemia, trabalham para o bem da humanidade. 

O que é ciência?

mulher cientista brasileiratrabalhando em laboratório

Antes de saber o que é o método científico precisamos saber o que é essa tal ciência.

Nós podemos pensar na definição do que é a ciência como o processo de construção do conhecimento científico. Essa abordagem é totalmente correlacionada com o trabalho desenvolvido pelos cientistas, que são os autores dessa construção.

A partir dessa ótica, nós temos que observar que: 

  • A ciência tem um caráter social: A ciência é produzida por pessoas e, portanto, está sujeita às influências que todo ser humano que vive inserido numa sociedade está. Questões políticas, econômicas, sociais e culturais permeiam as tomadas de decisão no meio científico. Ao mesmo tempo, ela é produzida por instituições sociais. Dessa forma, ela responde questões que foram colocadas por essas instituições sob a articulação da sociedade no âmbito do desenvolvimento de tecnologias, da ciência pura, da ciência aplicada. A sociedade determina o tipo de ciência que está sendo financiada, que tipo de pesquisa tem interesse político ou não. Tudo isso depende dos contextos social e histórico, que podem mudar ao longo do tempo.
  • Hipóteses: A ciência se desenvolve a partir de questões relevantes, levantadas pela sociedade, sobre as quais se elaboram hipóteses, que então serão testadas. Assim, a produção do conhecimento científico tem como propulsor o pensamento divergente na busca por respostas a essas questões, por meio da formulação de hipóteses para se chegar a interpretações dos resultados de experimentos.
  • Empirismo não ciência: A ciência é uma interpretação da realidade. A interpretação do real é sempre interfaceada pela visão de quem interpreta. Por mais imparcial que se possa ser, essa observação não é neutra. Toda observação é orientada por uma série de teorias, circunstâncias e etc. Por isso essas interpretações do que está sendo observado também dependem da teoria, então o que é real, o que é observado não sofrerá mudanças, mas a interpretação pode mudar ao longo do tempo. Dessa forma, ela não é equivalente direto do real e não se constrói unicamente a partir de experimentação e, necessariamente, da observação. Por isso a ideia de que o conhecimento científico é construído única e exclusivamente por meio de empirismo é equivocada.
  • Pluralismo metodológico: A ciência sempre segue métodos para testar suas hipóteses, mas existem diversos métodos possíveis para se produzir ciência.  Esse pluralismo metodológico, ou seja, a diversidade de formas de investigação, é uma característica muito importante do processo de construção do conhecimento científico.  Existem diferentes metodologias para a investigação de diferentes problemas. A escolha dos métodos pelos quais se conduzirá uma determinada investigação depende de um consenso na comunidade de cientistas que estabelece os métodos e determina qual é mais adequado para cada tipo de investigação, para cada problema. 
  • Coerência global: As diversas frentes de trabalho em todo o mundo devem ter um denominador comum para que os avanços conversem entre si e façam parte de uma grande rede de conhecimento unificada. Então, para que o trabalho de um cientista realizado no Brasil tenha validade para toda a comunidade científica mundial, ele deve ser divulgado para essa comunidade. Essa divulgação deve conter detalhes suficientes para que esses trabalhos possam ser reproduzidos em qualquer parte do mundo, em qualquer laboratório a fim de chegar ao mesmo resultado. Essa coerência global não é dada apenas em termos dos métodos, mas também em respeito às teorias vigentes em um dado momento e assim, os resultados de um cientista brasileiro serão interpretados por qualquer outro cientista no mundo de acordo com essas teorias [1,2,3].

O que não é ciência (e sim pseudociência)?

charlatão

Desde que o mundo é mundo nós buscamos o lugar de segurança, a tão conhecida zona de conforto. Na pré-história e até mesmo na antiguidade, essa busca era compreensível e até mesmo necessária, visto que ela era uma forma de garantir a manutenção da vida. Porém nos dias de hoje essas características pré-históricas do ser humano geram alguns conflitos no nosso relacionamento com a realidade em que estamos inseridos. Podemos citar alguns conflitos que temos que gerenciam o nosso dia a dia, como o viés de confirmação, a dissonância cognitiva, entre outros.

Por definição, o pensamento científico gera também conflitos na medida em que exige de nós o pensamento racional em circunstâncias em que é mais confortável agirmos de maneira instintiva. O método científico colidem com nossa postura instintiva de buscar por segurança, principalmente quando precisamos lidar com a característica de incerteza das afirmações científicas. Um dos pilares do sucesso da ciência reside no fato de que ela não é a dona da verdade, e que para que uma afirmação possa ser provada ela deve ser falseável.

No vácuo desse conflito entre método científico e instinto humano é que surgem as oportunidades da construção de conceitos e teorias que são baseados em verdades absolutas, ou seja, em afirmações infalseáveis. Essas teorias são extremamente atraentes, visto que o ser humano tem a tendência natural de acreditar naquilo que é agradável, mesmo que, para que essa teoria seja verdade, seja necessário o autoengano ou o viés cognitivo da confirmação. Então, gera-se todo um processo de racionalização sobre essa verdade infalível para que se justifique a crença “cientificamente”. Esse é o processo de construção de uma pseudociência.

Portanto, pseudociência é um conjunto de crenças ou afirmações sobre o mundo ou a realidade que se considera, equivocadamente, como tendo base um estudo científico. É um conjunto de teorias, métodos e afirmações com aparência científica, mas que partem de premissas falsas e/ou que não usam métodos rigorosos ou legítimos de pesquisa [5].

Um caso típico de pseudociência é a homeopatia. A homeopatia é um sistema de crenças notavelmente bem-sucedido. Esse sucesso se deve em parte ao fato da ampla difusão dessas práticas nos últimos 120 anos, no mundo inteiro, e também pelo fato de que os remédios homeopáticos estão isentos da maioria dos requisitos regulatórios. Pesquisadores da Universidade de Medicina de Viena (Áustria) publicaram na The Central European Journal of Medicine (2020), um artigo no qual afirmam que “a homeopatia não possui poder explicativo e, além disso, falha em outros critérios estabelecidos para uma abordagem científica. Tem sido repetidamente apontado que não existe “medicina alternativa/complementar”; existe apenas um medicamento, ou seja, medicamento que foi testado e que demonstrou funcionar. O resto é eticamente injustificável”. Além disso, eles apontam que um dos fatores que contribuem para o sucesso das pseudociências em geral é a desinformação e a falta de conhecimento científico por parte dos pacientes: “A prática médica pressupõe que o paciente responsável tome uma decisão informada. Isso requer um nível de educação em saúde e alfabetização científica, o que obviamente não é alcançado”[4].

 

Método científico

Metodo científico

O conhecimento científico, como explica o Prof. Volpato, da IGVEC, é como uma grande rede de pontos interligados, em que cada nó, cada ponto de interseção dos fios dessa rede, são os conhecimentos criados ou desenvolvidos pelos cientistas.
Em uma forma técnica, o conhecimento científico é o corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, formulados metódica e racionalmente.
O cerne da construção do conhecimento científico é justamente o método. Os métodos, ou os diversos métodos, dizem como devem ser conduzidas as pesquisas para que uma descoberta ou uma conclusão seja válida. Assim, o método científico é a principal ferramenta para a construção do conhecimento científico.
O método científico é uma das partes centrais da filosofia da ciência. É interpretado como um procedimento definido, testado, confiável, para se chegar ao conhecimento científico. Consiste em compilar fatos através de observação e experimentação cuidadosas e em derivar, posteriormente, leis e teorias a partir destes fatos, mediante algum processo lógico [6].
O método científico é comumente visto como uma maneira segura de se chegar a resultados e a novas descobertas. Isso confere um grande respeito à metodologia científica, e é utilizado como forma de gerar credibilidade em comerciais, produtos, discursos e, por exemplo, o título desse artigo. E realmente, o que é provado cientificamente tem credibilidade! O problema é que nem tudo é realmente comprovado cientificamente. Lembra da pseudociência?

  1. O QUE é Ciência?. Produção: Uab Pedagogia UFJF. [S. l.]: Uab Pedagogia UFJF, 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZYz0O8gFbyQ. Acesso em: 28 maio 2020.
  2. CHIBENI, Silvio Seno. O que é ciência. Campinas: Unicamp, 2013
  3. CHALMERS, Alan Francis; FIKER, Raul. O que é ciência afinal?. São Paulo: Brasiliense, 1993.
  4. CUKACI, Cemre et al. Against all odds—the persistent popularity of homeopathy. Wiener klinische Wochenschrift, p. 1-11, 2020. <https://link.springer.com/article/10.1007/s00508-020-01624-x>

  5. O QUE é Pseudociência?. [S. l.]: Canal do Pirulla, 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_olYYmL7WHA. Acesso em: 28 maio 2020.
  6. MOREIRA, Marco Antonio; OSTERMANN, Fernanda. Sobre o ensino do método científico. Caderno catarinense de ensino de física. Florianópolis. Vol. 10, n. 2 (ago. 1993), p. 108-117, 1993.<https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/7275>

GONZAGA, D. A.. O que é método científico? gonablog | gonabee Escola Digital, 2020. Disponível em <https://gonabee.com.br/index.php/conteudo/o-que-e-metodo-cientifico/> Acessado em: DIA de MÊS de ANO.

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